Equipe avaliando risco de acidente de trabalho e emissão de CAT
Voltar para RHCAT10 min de leitura

CAT: acidente de trabalho, quando emitir e quais os riscos para a empresa

A CAT é a Comunicação de Acidente de Trabalho. Ela deve ser emitida quando ocorre acidente de trabalho, acidente de trajeto quando aplicável, suspeita ou confirmação de doença ocupacional. O problema para a empresa quase nunca é a CAT em si: é emitir tarde, omitir informação ou não investigar o caso.

Por Luiz Cesar Sannino · Higienista Ocupacional | Técnico em Segurança do Trabalho | CREA/SP 5061899709

Ultima revisao: 2 de julho de 2026Publicado em 2 de julho de 2026
01

O que é CAT

CAT significa Comunicação de Acidente de Trabalho. É o documento usado para informar oficialmente ao INSS a ocorrência de acidente de trabalho ou doença relacionada ao trabalho.

A CAT não é confissão automática de culpa da empresa. Ela é comunicação obrigatória. O que define responsabilidade, estabilidade, nexo causal e indenização depende da análise técnica, médica, previdenciária e jurídica do caso.

02

Quando emitir CAT

  • Acidente típico: queda, corte, esmagamento, choque, queimadura ou outro evento ligado ao trabalho.
  • Doença ocupacional: suspeita ou confirmação de doença relacionada à exposição ou organização do trabalho.
  • Acidente de trajeto: avaliar conforme regra vigente e contexto do caso.
  • Agravamento de lesão: quando o trabalho contribui para piora de condição relacionada à atividade.
03

Tipos de CAT: inicial, reabertura e óbito

  • CAT inicial: usada na primeira comunicação do acidente, doença ocupacional ou ocorrência relacionada ao trabalho.
  • CAT de reabertura: usada quando há agravamento, reinício de tratamento ou novo afastamento ligado ao mesmo caso.
  • CAT de óbito: usada quando o acidente ou doença relacionada ao trabalho resulta em morte.
04

Qual o prazo para emitir CAT

A regra geral é emitir a CAT até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência. Em caso de morte, a comunicação deve ser imediata.

Atrasar ou deixar de emitir pode gerar multa, fragilidade documental, aumento de conflito com o trabalhador e piora da defesa em eventual processo trabalhista ou previdenciário.

05

Passo a passo depois de um acidente de trabalho

  1. Prestar atendimento imediato ao trabalhador e acionar socorro quando necessário.
  2. Registrar data, horário, local, atividade, testemunhas e condição do ambiente.
  3. Avaliar se há obrigação de emitir CAT e respeitar o prazo legal.
  4. Separar PGR, PCMSO, ASO, treinamentos, ficha de EPI e procedimentos ligados à função.
  5. Investigar causa raiz e definir medidas corretivas para evitar repetição.
  6. Atualizar documentos de SST quando o acidente revelar risco não controlado.
06

Quem pode emitir CAT se a empresa não emitir

A empresa é a responsável principal pela emissão. Mas, se ela se omitir, a CAT pode ser registrada pelo próprio trabalhador, dependentes, sindicato, médico assistente ou autoridade pública.

Isso cria um risco adicional: quando terceiros emitem a CAT, a narrativa inicial do caso pode nascer sem a leitura técnica da empresa, sem investigação interna e sem documentos de SST organizados.

07

CAT, INSS e eSocial: por que o RH precisa alinhar tudo

A CAT conversa com rotina previdenciária, afastamentos, benefícios, estabilidade e histórico ocupacional. Por isso, RH, DP, medicina do trabalho e segurança do trabalho precisam trabalhar com a mesma versão documentada dos fatos.

Quando a CAT é emitida de um jeito, o atestado diz outra coisa, o PGR não registra aquele risco e o ASO não conversa com a função, a empresa cria contradições que podem aparecer depois no INSS, no eSocial ou em processo trabalhista.

08

Documentos que a empresa deve organizar após o acidente

  • Relato objetivo da ocorrência, com data, horário, local e envolvidos.
  • Atendimento médico, exames, atestados e encaminhamentos relacionados.
  • Investigação de causa imediata e causa raiz.
  • Fotos, registros de máquina, escala, procedimento, treinamento e entrega de EPI.
  • PGR, PCMSO, ASO e laudos relacionados à função do trabalhador.
  • Medidas corretivas adotadas depois do evento.
09

CAT e estabilidade acidentária

A existência de CAT pode se conectar a afastamento previdenciário e discussão sobre estabilidade acidentária. Mas a estabilidade depende do conjunto do caso, especialmente reconhecimento do nexo e concessão de benefício acidentário quando aplicável.

Por isso, o ponto central para a empresa não é esconder a CAT. É investigar, documentar, corrigir risco, revisar PGR/PCMSO e manter prova técnica coerente.

10

Quando a CAT vira discussão trabalhista

A discussão trabalhista costuma surgir quando o trabalhador alega culpa da empresa, falta de EPI, ausência de treinamento, máquina sem proteção, ambiente inseguro ou doença causada pela atividade. A CAT é apenas uma peça desse quebra-cabeça.

A defesa fica mais forte quando a empresa demonstra prevenção anterior ao acidente e resposta posterior ao evento: documentos atualizados, investigação técnica, correção de falhas e acompanhamento médico adequado.

11

Como reduzir passivo depois de um acidente

  1. Atender o trabalhador e registrar a ocorrência com dados objetivos.
  2. Emitir CAT no prazo quando houver obrigação.
  3. Investigar causa imediata e causa raiz do acidente.
  4. Revisar PGR, treinamentos, EPI, EPC e procedimentos relacionados.
  5. Guardar evidência de medidas corretivas e comunicação interna.
12

Erros que aumentam o risco para a empresa

  1. Não emitir CAT por medo de “assumir culpa”.
  2. Emitir CAT sem investigar e sem organizar documentos técnicos.
  3. Tratar acidente como caso isolado, sem revisar PGR, EPI, treinamento e procedimento.
  4. Não registrar medida corretiva depois do evento.
  5. Deixar trabalhador, sindicato ou médico criarem a primeira narrativa sem participação técnica da empresa.
13

Como a SERMST apoia empresas após acidente

A SERMST ajuda a organizar a leitura técnica do acidente, revisar PGR, PCMSO, EPI, treinamentos e documentos de suporte, além de apoiar empresas e advogados em perícias trabalhistas envolvendo acidente, insalubridade, periculosidade ou doença ocupacional.

Perguntas frequentes

Emitir CAT significa assumir culpa?+

Não. A CAT é comunicação obrigatória do evento. Responsabilidade e nexo dependem de análise técnica, médica, previdenciária e jurídica.

Qual o prazo da CAT?+

Até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Em caso de morte, a comunicação deve ser imediata.

Doença ocupacional também exige CAT?+

Sim, quando há suspeita ou confirmação de relação com o trabalho, a CAT pode ser necessária.

A empresa pode emitir CAT mesmo sem afastamento?+

Sim. A obrigação de comunicar não depende apenas de afastamento longo. O caso concreto precisa ser avaliado.

CAT gera multa se for emitida fora do prazo?+

Pode gerar autuação e fragilizar a defesa da empresa. O risco aumenta quando há atraso, omissão ou falta de investigação técnica.

Acidente sem lesão precisa de CAT?+

Depende do caso. Quase acidente e incidente sem lesão devem ser investigados, mas a emissão de CAT exige avaliação do evento e de sua relação com acidente ou doença do trabalho.

A CAT substitui investigação interna?+

Não. A CAT comunica o evento ao INSS. A investigação interna explica causa, responsabilidade operacional e medidas corretivas.

Como esse tema impacta a rotina da empresa?+

O impacto normalmente aparece em previsibilidade operacional, clareza documental e segurança para tomar decisão sem improviso.

Próximo passo

A SERMST faz auditoria SST gratuita

Em 15 minutos a equipe entende o porte e a operação da empresa antes de indicar exame, laudo ou gestão. Sem compromisso, sem venda forçada.

Ver planos de SST por assinatura
WhatsApp