SERMST Gestão Ocupacional
Trabalhador com equipamento de proteção para entrada em espaço confinado conforme a NR-33

NR-33: guia para trabalho em espaço confinado

A NR-33 exige que a empresa identifique e cadastre os espaços confinados, avalie os riscos, emita a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) e mantenha equipe capacitada e plano de resgate. Tanques, silos, galerias e dutos podem se enquadrar, mas a caracterização depende das condições previstas na norma.

Por Luiz César Sannino · Higienista Ocupacional · Técnico em Segurança do Trabalho · CREA/SP 5061899709

Última revisão: 13 de julho de 2026Publicado em 1 de maio de 2026

Resposta direta

A NR-33 se aplica a ambientes não projetados para ocupação humana contínua, com meios limitados de entrada e saída e nos quais exista ou possa existir atmosfera perigosa. Toda entrada e trabalho deve ser precedida de PET. A operação envolve supervisor de entrada, vigia e trabalhadores autorizados. O supervisor pode exercer a função de vigia quando isso estiver previsto na PET. A formação inicial é de 16 horas para vigias e trabalhadores autorizados e de 40 horas para supervisores, com treinamento periódico anual de 8 horas.

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A NR-33 não divide os espaços em classes de permissão

A NR-33 brasileira não usa as categorias "com permissão" e "sem permissão". O responsável técnico deve identificar e manter o cadastro de todos os espaços confinados, inclusive os desativados, com suas características e riscos.

  • O cadastro identifica o espaço, seus acessos, geometria e riscos.
  • O procedimento de segurança define como preparar, liberar, executar e encerrar o trabalho.
  • A PET registra os perigos, as medidas de controle, a avaliação atmosférica, a equipe e os horários da operação.

Toda e qualquer entrada deve ter PET. A permissão vale, em regra, por uma jornada e pode ser prorrogada somente se todos os requisitos do item 33.5.12.1 forem atendidos, sem ultrapassar 24 horas.

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Os três papéis obrigatórios na operação

A operação deve prever as seguintes funções:

  • Supervisor de entrada: responsável por autorizar e supervisionar a operação. Avalia as condições do espaço antes da entrada, emite ou cancela a PET, garante que os controles estão implementados e coordena o resgate se necessário.
  • Entrante autorizado: o trabalhador que entra no espaço. Deve conhecer os riscos, usar os EPIs corretos, comunicar-se continuamente com o vigia e sair imediatamente ao sinal de evacuação ou deterioração das condições.
  • Vigia: permanece fora do espaço o tempo todo, com comunicação ativa com o entrante, autoridade para ordenar evacuação imediata e responsabilidade de acionar o resgate sem entrar no espaço sozinho.

O supervisor de entrada pode desempenhar a função de vigia quando isso estiver previsto na PET. A norma também permite que um vigia acompanhe mais de um espaço em condições restritas, descritas no item 33.3.4.1. O vigia permanece do lado de fora e aciona a equipe de emergência quando necessário; ele não deve improvisar um resgate entrando no espaço.

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Treinamento inicial e periódico

Vigias e trabalhadores autorizados devem receber treinamento inicial de 16 horas. Para supervisores de entrada, a carga inicial é de 40 horas. Pelo menos metade da carga prevista deve ser dedicada à parte prática.

O conteúdo obrigatório cobre:

  1. Reconhecimento e avaliação dos riscos em espaços confinados.
  2. Procedimentos de entrada, permanência e saída.
  3. Uso correto de detectores de gás e equipamentos de medição atmosférica.
  4. EPIs específicos: máscara com adução de ar, arnês, linha de vida, detector.
  5. Procedimentos de resgate e primeiros socorros básicos.
  6. Emissão e cancelamento da Permissão de Entrada e Trabalho (PET).

O treinamento periódico deve ocorrer a cada 12 meses, com carga mínima de 8 horas. Também há treinamento eventual nas situações previstas pela NR-01 ou quando forem observados desvios no uso de equipamentos ou nos procedimentos de entrada.

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O que precisa estar documentado

  1. Cadastro de espaços confinados: identificação de todos os espaços, inclusive os desativados, com seus riscos.
  2. Sinalização: todos os espaços identificados com placa padrão NR-33 (proibição de entrada sem permissão).
  3. Procedimento formal de entrada: documento descrevendo o processo de avaliação, emissão de PET, monitoramento atmosférico e resgate.
  4. Permissões de Entrada e Trabalho (PET): rastreáveis e arquivadas por 5 anos.
  5. Certificados de treinamento de todos os envolvidos, com data e reciclagem em dia.
  6. Plano de resgate: procedimento escrito, equipe designada, equipamentos de resgate disponíveis e testados.
  7. Registros ocupacionais: exposições a agentes nocivos devem estar coerentes com PGR, LTCAT e eSocial quando houver enquadramento aplicável.
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Quatro falhas que colocam a operação em risco

  1. Entrada sem PET. A NR-33 considera a entrada sem autorização prévia uma situação de grave e iminente risco.
  2. Avaliação atmosférica inadequada. O percentual indicado de oxigênio é 20,9%, sendo aceitável a faixa de 19,5% a 23% quando a causa da variação é conhecida e controlada. O equipamento precisa atender aos requisitos da norma, passar por teste de resposta e ter calibração válida.
  3. Vigia sem treinamento ou comunicação interrompida. Vigia que se afasta, não responde ou não tem autoridade para evacuar torna o sistema de segurança inoperante. A NR-33 exige comunicação contínua.
  4. Espaço fora do cadastro. Sem identificação e avaliação, a empresa não consegue preparar procedimento, PET e resgate compatíveis com a atividade.

Perguntas frequentes

Toda empresa que tem espaço confinado precisa cumprir a NR-33?+

Sim. A NR-33 se aplica quando há trabalho em espaço que atende à definição da norma, independentemente do porte ou do setor. A empresa deve identificar, cadastrar, avaliar os riscos, capacitar a equipe e controlar cada entrada.

Qual a diferença entre espaço confinado e espaço fechado?+

Um ambiente fechado não é necessariamente espaço confinado. Para o enquadramento na NR-33, é preciso observar em conjunto a ocupação não contínua, os meios limitados de entrada e saída e a existência ou possibilidade de atmosfera perigosa.

O vigia pode ser o mesmo que o supervisor de entrada?+

Pode, quando o acúmulo estiver previsto na PET. Mesmo nessa situação, todas as atribuições de supervisor e vigia precisam ser cumpridas durante a operação.

Com que frequência o treinamento de espaço confinado precisa ser renovado?+

Anualmente, com carga mínima de 8 horas. Além disso, pode ser necessário treinamento eventual conforme a NR-01 ou quando houver desvios no uso de equipamentos ou nos procedimentos de entrada.

Empresa de construção civil que escava valas precisa seguir a NR-33?+

Somente se a escavação reunir os critérios da definição de espaço confinado. Profundidade e acesso por escada, isoladamente, não bastam. A avaliação deve considerar geometria, acesso, atmosfera e a interação com as exigências da NR-18.

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