SERMST Gestão Ocupacional
Profissional recebendo carta de recomendação em contexto corporativo

Como fazer uma carta de recomendação: o que escrever e o que evitar

Uma boa carta de recomendação explica de onde vem a referência, apresenta fatos do trabalho realizado e deixa claro para quais responsabilidades a pessoa está sendo indicada. Não precisa exagerar nem parecer um texto pronto.

Por Felipe Sannino · Advogado em Direito do Trabalho e SST · OAB/SP 430.824

Última revisão: 1 de maio de 2026Publicado em 1 de janeiro de 2025
01

O que é, e o que não é, uma carta de recomendação

A carta de recomendação é um relato assinado por alguém que trabalhou com o profissional e pode descrever sua atuação. Ela não é uma obrigação geral do empregador e deve ser escrita apenas quando houver informações reais para compartilhar.

Diferente de:

  • Documentos do vínculo: registros da CTPS e documentos rescisórios comprovam a relação de emprego e não equivalem a uma recomendação.
  • PPP: documento previdenciário obrigatório nas situações previstas em lei, com finalidade própria.
  • Referência por telefone ou mensagem: também envolve dados pessoais e deve se limitar a informações autorizadas e verificáveis.
02

Quando vale a pena escrever

  1. Quando você acompanhou o trabalho de perto. Isso permite citar responsabilidades e resultados concretos.
  2. Quando há fatos positivos para registrar. A carta deve refletir uma experiência profissional real.
  3. Quando o profissional pediu a referência e autorizou o compartilhamento das informações necessárias.

Se você não acompanhou o trabalho ou não se sente confortável em recomendar, pode recusar com educação. Uma carta vaga ou exagerada não ajuda quem recebe nem quem está sendo indicado.

03

Estrutura que funciona

  1. Cabeçalho: dados de quem escreve, dados de quem está sendo recomendado, data.
  2. Contexto: período de trabalho, função, em qual empresa, sob qual estrutura. "Trabalhei com X de 2022 a 2025 como Gerente de Operações na empresa Y, onde eu era diretor."
  3. Contribuição concreta: o que a pessoa entregou e qual foi sua participação. Use números somente quando puder confirmá-los.
  4. Forma de trabalhar: escolha duas ou três características que você observou e dê contexto.
  5. Recomendação clara: para qual tipo de função você indica e por quê.
  6. Disponibilidade para contato: informe um canal profissional se estiver disposto a responder perguntas.
  7. Assinatura: nome, cargo, empresa, contato.
04

Os erros que tiram força da carta

  • Adjetivo vazio. "Profissional dedicado, comprometido e proativo" diz pouco. Explique qual comportamento levou a essa avaliação, sem transformar horas extras em prova de desempenho.
  • Inflação. Recomendar para qualquer cargo, prometendo o que o profissional não entrega. Vira problema quando o contratante percebe.
  • Contradição interna. Texto positivo mas com qualificadores que esvaziam ("apesar de algumas dificuldades", "quando focado", "com supervisão").
  • Texto genérico. Uma carta sem fatos, contexto ou responsabilidades poderia servir para qualquer pessoa.
  • Sem disponibilidade para validação. Recomendação séria oferece contato; quem não oferece levanta dúvida.
05

Cuidados jurídicos

Ao compartilhar uma recomendação, alguns cuidados evitam problemas desnecessários:

  • Dados pessoais: compartilhe apenas informações pertinentes e compatíveis com a autorização dada pelo profissional.
  • Comentários ofensivos ou discriminatórios: não inclua informações sobre saúde, religião, família ou outros aspectos sem relação com o trabalho.
  • Fatos não confirmados: evite acusações, rumores e avaliações que não possam ser explicadas de forma objetiva.

A regra prática é simples: fale do trabalho que você realmente acompanhou, use informações pertinentes e não prometa desempenho futuro.

Perguntas frequentes

Empresa é obrigada a dar carta de recomendação?+

Não existe obrigação legal geral de fornecer carta de recomendação. Ela não se confunde com os registros do vínculo, os documentos rescisórios ou o PPP, quando este for aplicável.

Posso falar mal de ex-funcionário em referência?+

Referências negativas podem expor dados pessoais, reproduzir acusações não comprovadas ou gerar alegações de dano. Limite-se a fatos profissionais pertinentes e autorizados; se não puder responder com segurança, recuse o comentário.

Recomendação por LinkedIn vale o mesmo?+

Pode ajudar, mas tem formato e contexto diferentes de uma carta assinada. Em qualquer canal, a recomendação deve identificar a relação profissional e trazer informações específicas.

Posso pedir carta para múltiplas pessoas?+

Pode. Referências de gestores, colegas, clientes ou parceiros mostram perspectivas diferentes, desde que cada pessoa tenha acompanhado o trabalho descrito.

O que fazer se o ex-empregador se recusa?+

A carta não é obrigatória. O profissional pode procurar outras pessoas que tenham acompanhado seu trabalho, como um antigo gestor, colega, cliente ou parceiro.

Próximo passo

A SERMST faz auditoria SST gratuita

Em 15 minutos a equipe entende o porte e a operação da empresa antes de indicar exame, laudo ou gestão. Sem compromisso, sem venda forçada.

Ver Planos SST
WhatsApp